Aprenda como escrever uma boa redação

Aprenda como escrever uma boa redação

Certamente, você já deve ter se questionado sobre os “segredos” de quem entrega excelentes produções de texto ao professor ou até mesmo a algum tipo de concurso. Ao contrário do que possa imaginar, produzir uma boa redação, apesar de dar trabalho, não é tarefa difícil.

Como já falamos inúmeras vezes por aqui, não adianta você querer escrever o texto perfeito se carece de leitura. É ela que garante a ampliação do vocabulário, das construções sintáticas, do uso adequado de figuras de linguagem e, principalmente, do conhecimento de mundo.

Hoje, vamos concentrar nossa energia em um gênero textual que é, sem sombra de dúvida, o mais cobrado em vestibulares, concursos públicos e no Enem. Estamos falando da dissertação escolar, aquela nossa velha conhecida, desde o colégio até os cursinhos preparatórios para exames. É natural que seja tão cobrada, nela você tem a oportunidade de elaborar uma tese e posicionar-se sobre ela mostrando conhecimento.

Os grandes concursos do país, seja de instituições de ensino ou de órgãos públicos e privados de trabalho, analisam, por meio de uma produção, a capacidade do indivíduo de elaborar e interpretar ideias acerca de conceitos mais complexos. Toda universidade, por exemplo, deseja que os melhores estudantes façam parte do seu quadro de alunos. São eles que vão apresentar ideias e pesquisas que podem transformar o mundo e a vida de milhares de pessoas. Não é exagero dizer que tudo começa por um bom texto. Quer saber do que uma boa dissertação escolar precisa? Então, fique ligado, pois vamos te mostrar o caminho agora!

Antes de mais nada, é preciso dizer que existem certas competências que um autor precisa apresentar. Entre elas estão o domínio da norma padrão da língua, a compreensão total da proposta de redação, a interpretação de texto e o uso de recursos linguísticos, como modalizadores (muito usados em textos argumentativos), aquelas expressões que demonstram o ponto de vista do autor, veja: “sem dúvida”, “é lógico”, “infelizmente”, etc.

Dissertações escolares costumam ser produzidas em sala de aula a partir de uma proposta realizada pelo professor ou professora. Normalmente, são abordados problemas de relevância social, em grande parte polêmicos, em que o autor se posiciona sobre o assunto e o defende com argumentos. Tais dissertações costumam apresentar aquela estrutura básica que você certamente já conhece: introdução, desenvolvimento e conclusão. Apesar de parecer simples, é necessário saber como organizar as informações de acordo com este padrão. Vamos ver como faz?

Introdução: costuma ser desenvolvida em um parágrafo, no qual o autor faz uma contextualização sobre o tema e apresenta a tese, que é o posicionamento que ele irá defender, ou seja, o seu ponto de vista.

Desenvolvimento: abordado em dois ou três parágrafos, contém os argumentos que serão utilizados para defender e reforçar a tese já apresentada.

Conclusão: elaborada no último parágrafo, retoma a situação-problema, a tese e propõe soluções. É isso mesmo, não basta apontar o problema, propor soluções é fundamental para mostrar domínio do conteúdo.

Como usar bons argumentos?

Textos de opinião jamais funcionam com os famosos “achismos”, eles precisam de dados, informações que possam conferir credibilidade à tese. Se lhe disserem que o excesso de gordura hidrogenada nos alimentos ultraprocessados aumenta os riscos de infarto e acidente vascular cerebral, você receberá esta informação com maior segurança de um médico ou de alguém que “ouviu falarem sobre o assunto”? A resposta parece um tanto óbvia, não é mesmo? Existem argumentos que tornam as informações da sua dissertação indiscutíveis. Vejamos alguns deles.

Argumento de autoridade: consiste na citação de autores importantes, ligados, de alguma forma, ao tema abordado. São eles professores, cientistas, pesquisadores ou até mesmo instituições de ensino e institutos de pesquisa.

Exemplo: “Quando uma estrutura precisa existir em duas configurações diferentes, e ao menos uma delas é plana, as dobraduras proporcionam uma forma muito eficiente de fazer a transição”, explica o físico e designer americano Robert Lang, pioneiro nas pesquisas sobre aplicações práticas das técnicas de origami. (Em: Superinteressante, nº 386, p. 52-53)

Argumento por raciocínio lógico: através dele, o autor do texto mostra a relação de causa e consequência de um fato.

Exemplo: Noites mal dormidas e a má condução dos estudos durante o dia (causa) provoca situações recorrentes de estresse e estafa mental (consequência/efeito).

Argumento de alusão histórica: retoma fatos passados que podem reforçar o ponto de vista do autor.

Exemplo: “Os judeus também aproveitaram as Grandes Navegações por um motivo mais urgente que a confecção de novos negócios: a sobrevivência.” (Em: Superinteressante, nº 386, p. 58)

Argumento por evidência (dados estatísticos): apresenta dados reais e, portanto, confiáveis, geralmente retirados de institutos de pesquisa.

Exemplo: Segundo IBGE, a pobreza aumentou em 2017, atingindo a marca de 54,8 milhões de pessoas.

Existem muitos outros argumentos que você pode usar a seu favor, mas esses que aqui citamos são de grande valia na produção de uma redação de qualidade. Como saber tanta coisa a respeito de um só tema? O estudante que quer ser dar bem em qualquer exame de seleção precisa, acima de tudo, ser um indivíduo bem informado. Saber o que está acontecendo no mundo é fundamental e você pode fazer isso mediante a leitura de jornais, revistas, acessando sites confiáveis na internet, pesquisando, discutindo o assunto com os amigos e até mesmo com a família. Seguindo todas essas dicas, não tem como não se dar bem!

Para te ajudar ainda mais, deixamos aqui um exemplo de dissertação escolar nota mil no Enem! A redação foi elaborada no exame de 2014, cujo tema era “Publicidade Infantil em Questão no Brasil”. Confira e inspire-se!

“A publicidade infantil tem sido pauta de discussões acerca dos abusos cometidos no processo de disseminação de valores que objetivam ao consumismo, uma vez que a criança, ao passar pelo processo de construção da sua cidadania, apropria-se de elementos ao seu redor, que podem ser indesejáveis à manutenção da qualidade de vida.

O sociólogo Michel Foucault afirma que ‘nada é político, tudo é politizável, tudo pode tornar-se político’. A publicidade politiza o que é imprescindível ao consumidor à medida que abarca a função apelativa associada à linguagem empregada na disseminação da imagem de um produto, persuadindo o público-alvo a adquiri-lo.

Ao focar no público infantil, os meios publicitários elencam os códigos e as características do cotidiano da criança, isto é, assumem o habitus – conceito de Pierre Bourdieu, definido como ‘princípios geradores de práticas distintas e distintivas’ – típico dessa faixa etária: o desenho animado da moda, o jogo eletrônico socialmente compartilhado, o brinquedo de um famoso personagem da mídia, etc.

Por outro lado, a criança necessita de um espaço que a permita crescer de modo saudável, ou seja, com qualidade de vida. Os abusos publicitários afetam essa prerrogativa: ao promoverem o consumo exacerbado, causam dependência material, submetendo crianças a um círculo vicioso de compras, no qual, muitas vezes, os pais não podem sustentar. A felicidade é orientada para um produto, em detrimento de um convívio social saudável e menos materialista.


De modo a garantir o desenvolvimento adequado da criança e diminuir os abusos da publicidade, algumas medidas devem ser tomadas. O governo deve investir em políticas públicas que atuem como construtoras de uma ‘consciência mirim’, através de meios didáticos a fomentar a imaginação da criança, orientando-a na recepção de informações que a cercam. Em adição, os pais devem estar atentos aos elementos apropriados pelos seus filhos em propagandas, estimulando o espírito crítico deles, a contribuir para a futura cidadania que os espera.”

Texto de Lucas Santos Barbosa. 


BANNER-EBOOK-ENEM

Compartilhar:

9 comentários

  1. Ótimo texto!

  2. Muito bom!!! Só tenho agradecer por você disponibilizar matérias gratuitos e muito qualidade. Parabéns!!!

  3. Você pode recomendar alguns livros p o aumento vocabular em redações ?

    1. Olá, Luiz. Qualquer leitura é válida, mas os clássicos são sempre boas opções. Pode pensar em obras estrangeiras, tem muita coisa boa traduzida, e depois partir para os nacionais. Abraços.

  4. Excelentes dicas. Foi por conta destas que me tornei assinante do seu site.
    Parabéns pelo trabalho!

  5. Profeasor Noslen, boa noite!
    Qual a sua aposta para temas novos para os concurseiros 2019. Obrigado!

    1. Isso é muito relativo Murilo, pois depende de cada banca de concurso. O negócio é pegar temas que estejam na mídia, em evidência, mas é difícil propor algo nesse sentido. Fique antenado que sempre postamos algo relacionado. Abraços.

Deixe uma resposta