Domine a análise sintática

Domine a análise sintática

Quando iniciamos nossos estudos em língua portuguesa, é normal aprendermos a função das palavras de maneira isolada. Por exemplo, verificamos a função de um substantivo, de um adjetivo, de um verbo e assim por diante. Observamos, de modo geral, que substantivos nomeiam, adjetivos caracterizam, verbos denotam ações. Dessa maneira, nos dedicamos a uma análise morfológica, ou seja, uma análise da palavra em si. 

Na análise sintática, passamos a observar a função dessas mesmas palavras enquanto termos de uma oração. Isso significa que não mais atentamos, por exemplo, para o fato de que um substantivo nomeia, mas também percebemos que ele pode ser núcleo de um sujeito. Este tipo de análise vai se preocupar, portanto, com a função exercida pela palavra conforme sua posição em uma frase. Vejamos o exemplo para ampliar nosso entendimento. 

Hoje eu e meus amigos terminamos o trabalho. 

De forma geral, frases verbais, também conhecidas como orações, dividem-se em dois grandes blocos: sujeito o predicado. Enquanto o sujeito é aquele que realiza ou sofre uma ação, o predicado diz respeito à ação realizada ou sofrida. No exemplo que acabamos de citar, temos:

Sujeito: eu e meus amigos.

Predicado: terminamos o trabalho. 

“Mas, professor Noslen, e o termo ‘hoje’ não faz parte do sujeito?” Na verdade, não, ele é um termo acessório cuja classificação vamos ver agora.

Perceba que a análise sintática que faremos a seguir da mesma frase servirá para identificarmos a função de cada elemento no período. Vamos repetir a frase para facilitar a visualização.

Hoje eu e meus amigos terminamos o trabalho. 

Sujeito: eu e meus amigos

Predicado: terminamos o trabalho

Verbo transitivo direto: terminamos 

Objeto direto: o trabalho

Adjunto adverbial: hoje (tempo)

Adjunto adnominal: o (referente a trabalho)

Neste exemplo, acabamos de fazer um tipo de análise sintática, mas há outros elementos que podem ser verificados durante tal análise, como objeto indireto, predicativo do sujeito, predicativo do objeto, complemento nominal, agente da passiva, aposto etc. Veja alguns casos. 

O aluno assistiu ao filme

Sujeito: o aluno

Verbo transitivo indireto: assistiu

Objeto indireto: ao filme

Objetos indiretos têm a função de complementar o sentido do verbo e se ligam a ele com o auxílio de uma preposição, ou seja, indiretamente.

A aluna parecia preocupada.

Sujeito: a aluna

Verbo de ligação: parecia

Predicativo do sujeito: assustada

Podemos afirmar que o predicativo do sujeito tem a função de qualificar o sujeito, ou seja, dar uma informação a respeito dele através de um verbo de ligação. Quando esse termo aparece, o predicado é classificado como nominal. 

O diretor repreendeu os alunos agitados

Sujeito: o professor

Verbo transitivo direto: repreendeu

Objeto direto: os alunos

Predicativo do objeto: agitados. 

O predicativo do objeto tem a função de caracterizar os objetos, qualificando-os. No período acima, o predicado passa a ser verbo-nominal, visto que possui um verbo significativo, mas também um predicativo do objeto que passa a ser importante para completar o sentido daquilo que se quis dizer. 

Atividade física é importante para minha saúde

Sujeito: atividade física

Verbo de ligação: é

Adjetivo: importante

Complemento nominal: para minha saúde

Complementos nominais, como a denominação já diz, completam o sentido de substantivos abstratos, adjetivos e advérbios. Têm função essencial e costumam ser antecedidos de preposição. 

A maquete foi produzida pelos alunos do Ensino Médio

Sujeito: a maquete

Locução verbal: foi produzida (voz passiva analítica)

Agente da passiva: alunos do Ensino Médio

O agente da passiva é aquele que realiza a função colocada em destaque. O exemplo acima traz uma oração na voz passiva. Normalmente, o agente da passiva costuma ser o sujeito quando o verbo se apresenta na voz ativa. 

Marcia, diretora da nossa escola, elogiou a maquete

Sujeito: Marcia

Aposto: diretora da nossa escola

Verbo transitivo direto: elogiou

Objeto direto: a maquete

O aposto funciona como uma espécie de informação adicional, normalmente usado para explicar algo, ou resumir, especificar, numerar etc.

Como acabamos de observar, são várias as formas possíveis de análise sintática, tudo depende da posição dos termos na oração e, principalmente, do foco de estudo em cada momento. É importante lembrar que este tipo de análise vai além de conceitos prontos, o que significa que a famosa “decoreba” não é suficiente aqui. A palavra “análise” já diz tudo, trata da investigação, da compreensão acerca da função desses elementos.

Ainda no campo de estudo das orações, deixo alguns conceitos básicos para você relembrar antes de passar para um estudo mais aprofundado.

Oração

Toda frase verbal é uma oração. É um enunciado que se organiza em torno de um verbo. O que isso significa? Que para uma frase ser oração, ela precisa ter verbo! Conforme a quantidade de verbos será a quantidade de orações. Lembro que uma locução verbal possui valor de um verbo.

Período

É o “conjunto” de orações. Pode abranger apenas uma ou mais orações. Um período começa na letra maiúscula e termina no ponto final. 

Período simples

Possui apenas uma oração. Exemplo: Hoje caminhei no parque. (1 verbo = 1 oração)

Período composto

Possui duas orações ou mais. Exemplo: Hoje caminhei no parque e encontrei meus amigos. (2 verbos = 2 orações)

Sujeito = aquele(a) que realiza/sofre uma ação. Aquele(a) (ou aquilo) sobre quem se fala.

Predicado = a ação realizada/sofrida, a informação dada sobre o sujeito. 

Você deve ter percebido que a análise sintática é mais simples do que parece. Agora é praticar com muita leitura e pesquisa. Indico sempre a consulta a bons livros de gramática, pois costumam apresentar informações completas e confiáveis.

Abraços e bons estudos!


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6 comentários

  1. Prof. quais livros o Sr. me indicaria para consultas?

  2. Excelentes aulas, Professor, Noslen.

  3. Gosto muito! a forma que você simplifica fica fácil a compreensão.

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