Domine a pontuação

Domine a pontuação: Exercícios Práticos

DOMINE A PONTUAÇÃO: EXERCÍCIOS PRÁTICOS

Os sinais de pontuação são recursos exclusivos da escrita, usados para fazer referência a pausas e formas de entonação da fala. Não há regras muito específicas para o seu uso, pois elas podem ser utilizadas de acordo com as necessidades discursivas de cada indivíduo. De qualquer forma, é importante destacarmos que, se usadas de maneira inadequada, podem provocar confusões na interpretação daquilo que realmente se quis dizer. Para garantir a clareza dos textos produzidos por você, preparamos um guia prático infalível que vai te dar a maior força na hora da escrita!

Ponto-final (.)

Empregado ao final de frase, sugere uma pausa máxima a respeito do que se quis dizer. Pode sugerir o início de uma nova ideia a ser explorada ou confirmar a conclusão de outra. 

Exemplo: Aquele professor prestou grande auxílio à comunidade. 

Ponto de interrogação (?)

Utilizado em interrogações diretas (aquelas que começam com palavra interrogativa e terminam com a interrogação), mesmo que sejam perguntas retóricas (aquelas que não exigem resposta, feitas, geralmente, para provocar alguma reflexão acerca de um assunto em discussão).

Exemplo: Onde está o livro que te emprestei?

Ponto de exclamação (!)

Pode ser usado em frases exclamativas ou até mesmo em frases imperativas. Costuma envolver reações emocionais, como tristeza, alegria, surpresa etc. Por isso, é muito comum que acompanhe interjeições. 

Exemplo: Ah! Como queria que isso fosse verdade!

Vírgula (,) 

Certamente, um dos sinais de pontuação que mais gera dúvidas nos usuários de uma língua. Ela também marca uma pausa, mas esqueça aquela “regra” da respiração que alguma professora ou professor deve ter ensinado quando você era criança, ok? Vamos citar alguns casos específicos de emprego da vírgula. Veja. 

  • Em datas, marcando a separação da localidade:

Curitiba, 24 de junho de 2019.

  • Para separar o vocativo:

Sabrina, você entendeu aquele conteúdo novo?

  • Para separar o aposto:

Língua Portuguesa, minha disciplina preferida, deve receber atenção especial em meus estudos.

  • Para destacar adjuntos adverbiais:

Naquela casa, moravam três irmãs. (início de frase)

Moravam, naquela casa, três irmãs (meio da frase)

  • Para separar termos deslocados de sua posição costumeira em uma frase:

Os livros, você trouxe? (objeto do verbo iniciando a frase)

  • Para separar orações coordenadas assindéticas

Abriu a porta com cuidado, conferiu o ambiente, dirigiu-se ao seu quarto, escondeu-se cauteloso.

  • Para separar orações coordenadas sindéticas

Falam muito, mas fazem pouco.

  • Para separar orações subordinadas adjetivas

A classe, que era grande, foi dividida em vários grupos. 

  • Para separar orações reduzidas

Terminada a festa, os convidados foram embora. 

Ponto e vírgula (;)

Pode ser usado para marcar uma pausa menos longa ou mesmo para enumerar itens ou ideias. Pode ser usado nas situações destacadas a seguir.

  • Separar orações coordenadas:

Não gostem, mas compreendam; não gostem, mas façam sua parte. 

  • Separar orações coordenadas assindéticas com conjunções subentendidas:

Disse que viria; não veio.

Esforçou-se para o trabalho; não tirou nota boa.

  • Separar itens de uma enumeração: 

Consideremos: o corte orçamentário; as reivindicações dos funcionários; a necessidade de reduzir gastos. 

Dois-pontos (:)

Marca uma pausa numa frase não concluída. Na fala, causa a sensação de suspensão da voz. Podem ser utilizados para anunciar:

  • Uma citação:

Como dizia Manuel Bandeira: “A vida inteira que podia ter sido e que não foi.”

  • Uma enumeração:

Foram à festa de Mauricio: Fática, Catarina, Cristiano e José.

  • Uma explicação:

O desejo da população brasileira é só um: ter uma vida mais digna.

  • Fala de um personagem:

A menina perguntou: 

– O que posso fazer? 

Reticências (…)

Marca a suspensão da frase. Pode envolver um aspecto emocional ou uma sentença inacabada por interrupções externas. Também pode representar hesitações na fala ou ações contínuas.

Exemplo 1: Eu me esforcei tanto e…

Exemplo 2: Não te contei porque… porque… porque tive medo.

Exemplo 3: O avião ia subindo…

 

Aspas (“”)

São empregadas em citações ou transcrições, na representação de títulos de livros e outras obras, também para destacar estrangeirismos ou ironia.

Exemplo 1: Para Drummond, “no meio do caminho tinha uma pedra.”

Exemplo 2: Na obra “Tristão e Isolda” consta uma lenda de origem celta.

Exemplo 3: Mas que “beleza” essa sujeira na sua roupa!

 

Parênteses (()) 

Normalmente são usados para separar indicações bibliográficas, observações, explicações, comentários e reflexões.

Exemplo: O núcleo do sintagma nominal (geralmente um substantivo) pode ser acompanhado por determinantes.

Travessão (–)

É usado para destacar discurso direto (fala de um personagem, por exemplo) ou para intercalar os interlocutores de um diálogo. Também aparece em situações nas quais se deseja destacar uma palavra, expressão ou frase.

Exemplo: Vimos aquele homem – certamente o médico por quem procurávamos – correr em nossa direção.

 

Exercícios práticos

 

  1. Copie os trechos a seguir, colocando a vírgula quando necessário.
  2. a) Da próxima vez que falar assim comigo não respondo por mim.
  3. b) Minha mãe desde que passou uns dias na fazenda só pensa em cozinhar pratos da roça.
  4. c) Quando a canoa ia longe já na outra margem do rio o pescador acenou emocionado. 
  5. d) Tenha calma Marina tudo vai se resolver.

 

  1. Copie os trechos a seguir, colocando vírgula ponto e vírgula e dois-pontos quando necessário. 
  2. a) Para que a planta sobreviva são necessários alguns cuidados regar o vaso todos os dias dar luz às folhas todos os dias adubar a terra com intervalos regulares e podar os ramos de tempos em tempos.

 

  1. b) A multidão urrou furiosa alguns trepando às janelas das casas ou correndo pela rua afora conseguiram escapar mas a maioria ficou bufando de cólera indignada animada pela exortação do barbeiro. (Machado de Assis. O alienista. São Paulo: Ática, 1992, p. 32)

 

  1. Justifique a pontuação (travessão, parênteses e aspas) utilizada nos enunciados em destaque.
  2. a) O médico ajoelhou-se diante do paciente (ele não costuma ser solícito com ninguém) e estendeu-lhe a mão. 
  3. b) “Cale-se”, dizia ele a si mesmo com vergonha da situação.
  4. c) Apresentaram o novo diretor da empresa – provavelmente um tirano – durante a reunião semanal. 

 

  1. Justifique o uso das reticências nas frases a seguir.
  2. a) – Sei que a reunião será longa, mas procure não demorar muito…
  3. b) Mãe, eu posso explicar… não cheguei tarde porque quis… o carro do Roberto estragou.
  4. c) A lua se escondia atrás da montanha…

 

  1. Justifique o uso dos dois-pontos nos enunciados a seguir.
  2. a) O motivo da minha insistência é claro: não podemos terminar assim, sem uma conversa.
  3. b) O professor anunciava: a avaliação seria com consulta.
  4. c) O como diz o ditado: “quem vê cara não vê coração.”

 

  1. Elabore frases, utilizando os seguintes sinais de pontuação:
  2. a) aspas, travessão, dois-pontos e ponto-final.
  3. b) dois-pontos, ponto e vírgula e ponto-final.

 

GABARITO

1.

  1. a) Da próxima vez que falar assim comigo, não respondo por mim.
  2. b) Minha mãe, desde que passou uns dias na fazenda, só pensa em cozinhar pratos da roça.
  3. c) Quando a canoa ia longe, já na outra margem do rio, o pescador acenou emocionado. 
  4. d) Tenha calma, Marina, tudo vai se resolver.
  5. a) Para que a planta sobreviva, são necessários alguns cuidados: regar o vaso todos os dias; dar luz às folhas todos os dias; adubar a terra com intervalos regulares e podar os ramos de tempos em tempos.

 

  1. b) A multidão urrou furiosa; alguns trepando às janelas das casas, ou correndo pela rua afora, conseguiram escapar; mas a maioria ficou bufando de cólera, indignada, animada pela exortação do barbeiro. (Machado de Assis. O alienista. São Paulo: Ática, 1992, p. 32)

3.

  1. a) O médico ajoelhou-se diante do paciente (ele não costuma ser solícito com ninguém) e estendeu-lhe a mão. 

Parênteses – usados para separar um comentário.

  1. b) “Cale-se”, dizia ele a si mesmo com vergonha da situação.

Aspas – transcrição do pensamento de um personagem.

  1. c) Apresentaram o novo diretor da empresa – provavelmente um tirano – durante a reunião semanal. 

Travessão – usado para evidenciar um comentário.

4.

  1. a) – Sei que a reunião será longa, mas procure não demorar muito…

Prolongam a frase, expressando um desejo.

  1. b) Mãe, eu posso explicar… não cheguei tarde porque quis… o carro do Roberto estragou.

Representam hesitações na fala.

  1. c) A lua se escondia atrás da montanha…

Expressam uma ação contínua.

  1. a) O motivo da minha insistência é claro: não podemos terminar assim, sem uma conversa.

Usados para anunciar uma explicação.

  1. b) O professor anunciava: a avaliação seria com consulta.

Usados para anunciar a fala de um personagem após o verbo de elocução.

  1. c) O como diz o ditado: “quem vê cara não vê coração.”

Usados para anunciar citação.

  1. a) Sugestão de frase: O aluno estava relutante: “Não foi esse o combinado para o trabalho” – essa era a sua forma de reivindicar uma nota mais satisfatória.

b) Sugestão de frase: Não esquecia duas coisas daquele encontro inesperado: o local repleto de flores primaveris; o perfume da mulher que se confundia com o das flores.


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2 comentários

  1. To aprendendo muito,voçe e um otimo professor explica de maneira clara e com humor ,assim a aula nao se torna cansativa.

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