O que é Gramatica normativa?

O que é Gramática Normativa?

Certamente, inúmeras vezes, você já deve ter ouvido seu professor ou sua professora de língua portuguesa utilizarem em sala de aula o termo “Gramática Normativa”. Mas já parou para pensar o que é e para que ela serve?

Essa linha da gramática é responsável pelas regras gramaticais, aquelas que aprendemos na escola. Ele tem característica prescritiva, ou seja, prescreve normas que, de acordo com o que muitos gramáticos afirmam, devem ser seguidas por todos os falantes.

Inspirada nas obras clássicas da nossa Literatura, dentre as quais podemos citar livros de autores como José de Alencar e Machado de Assis, a GR visa a uma padronização da língua, prezando pelas formas tradicionais. Ela preconiza os chamados dialetos de prestígio, aqueles comumente utilizados por falantes com um perfil bem definido: alto nível social e, consequentemente, alto nível de estudo.

Tal gramática costuma ser ensinada nas escolas numa tentativa de fazer chegar a todos um dialeto que costuma ser exigido nas mais variadas situações de formalidade. Ela aborda o que chamamos de análise fonológica (estudos relacionados aos sons, pronúncia e ortografia), análise morfológica (responsável pelo estudo do vocábulo e, assim, das classes gramaticais) e análise sintática (estudos referentes à formação de frases e sua estrutura).

A gramática normativa é importante?

Podemos responder a essa pergunta dizendo que sim, se considerarmos que a sociedade, de um modo geral, “precisa” dela nas situações formais de escrita e fala. Numa entrevista de emprego, por exemplo, você pode ter sua oratória analisada por meio da norma padrão. Numa palestra, na apresentação de um trabalho, numa redação de vestibular e em tantas outras situações, seu uso será cobrado e, muitas vezes, avaliado.

A escola, normalmente, não quer que você domine o padrão para utilizá-lo o tempo todo. É lógico que em uma conversa descontraída com a família ou com os amigos, por exemplo, você usará uma linguagem também descontraída, mas numa reunião no trabalho ou na produção de um artigo científico é bem provável que lhe imponham a necessidade de uma gramática que respeite as regras.

Gramática normativa X linguagem coloquial

A linguagem coloquial é aquela ligada à interlocução do cotidiano, muito utilizada em situações informais de uso das modalidades da escrita e da fala. É aquela linguagem composta por nossas próprias regras, presente na fila do mercado, na fila do cinema, no jantar com a família, na balada com os amigos, no bilhete que deixamos na geladeira ou até mesmo nas mensagens que enviamos por aplicativos de celular.

Há muita polêmica quando discutimos os momentos de usos da linguagem coloquial ou da norma padrão. Os gramáticos mais tradicionalistas, por exemplo, acreditam que as normas devam ser sempre seguidas, independente da situação. Mas você já pensou como seria se utilizássemos as regras o tempo todo? Imagine-se, por exemplo, em uma grande rede de fast food fazendo um pedido como se fosse Machado de Assis descrevendo Capitu num de seus romances mais famosos. Certamente, o discurso seria tão estranho que provocaria o riso de todos ao seu redor.

Aqueles mais antenados aos tempos atuais sabem que a norma padrão é importante, mas também reconhecem que uma linguagem informal nos torna mais acessíveis e até mais simpáticos aos que conosco convivem. Ou você vai dizer que faz a colocação pronominal, por exemplo, sempre de acordo com as regras? Já se imaginou usando uma mesóclise bem no meio de uma aula de física? Pois é!     

O que não é padrão é erro?

Não gostamos muito de falar em erro. Sabemos que existem inadequações na língua, especialmente quando usamos a linguagem coloquial em situações que exigem formalidade. Contudo, precisamos tomar muito cuidado para não considerar que tudo foge ao padrão incorre em erro. Se seguirmos essa linha de pensamento, corremos o risco de excluir ainda mais aquelas que não têm domínio algum das regras, como pessoas falantes de algum dialeto desprestigiado na sociedade. Tal atitude nos tornaria preconceituosos e, ousamos dizer, até mesquinhos por achar que o cidadão só merece visualização se domina um conjunto de regras completamente estanques e até desatualizadas.

A língua se desenvolve junto com a gente, ela é rica, viva, muitas vezes até foge do nosso controle. E não, isso não é ruim, mas maravilhoso, pois mostra a nossa história, nossa cultura, nossa identidade. E, vamos combinar, nossa construção individual parte justamente da diversidade. Se somos diversos, como querer que uma língua se resuma a uma padronização?

Preconceito linguístico

Quando não aceitamos a diversidade, tornamo-nos preconceituosos e fazemos da nossa sociedade um mecanismo ainda mais excludente do que ela já é. É importante, sim, dominarmos a norma padrão, mas é fundamental reconhecermos que há pessoas, em nosso país, que nunca terão acesso à educação formal. Exigir delas um posicionamento formal, com domínio total da gramática normativa não lhe parece extremamente injusto.

A linguagem é muito mais do que isso! Ela não é exclusiva, mas coletiva, construída por todos os seus falantes. E se algum deles foge da regra, ele está criando uma variação e não uma inadequação. Se é falado é porque existe, não é mesmo? Imagine se as gírias que tanto usamos e que não constam no dicionário fossem terminantemente proibidas entre nossos grupos sociais. Seria frustrante, certo?

Essa língua anárquica que tantos gramáticos tradicionais criticam é apenas uma variação, muitas vezes criativa, daquilo que aprendemos na escola. Inventamos novas palavras, criamos nossas próprias regras, fugimos do padrão quase o tempo todo. Que direitos temos nós de rir do outro que domina o dialeto de prestígio?

A palavra preconceito diz tudo: um pré-conceito é uma ideia que formamos antes mesmo de nos inteirarmos sobre o ponto que estamos criticando, ou seja, é um julgamento sem conhecimento de causa. Isso demonstra que quem ri do falante de um dialeto menos prestigiado está apenas provando que não conhece a própria língua e, consequentemente, ainda está em busca de sua identidade.

Agora você já sabe, a gramática normativa existe para nos auxiliar, nos aproximar, nos construir e reconstruir, ela deve ser caminho, jamais o único fim! Por isso, quando for estudá-la, lembre-se sempre: linguagem é poder, mas o poder exige responsabilidade, poder de verdade é respeitar as diferenças e ter postura inclusiva.

Bons estudos e boa sorte sempre!

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