Os principais tipos de variação linguística

Os principais tipos de variação linguística

Vivemos num mundo dinâmico, fazendo parte de uma sociedade que se transforma o tempo todo. A língua, enquanto mecanismo vivo que é, acompanha este processo e acaba passando, também, por adequações às nossas necessidades comunicativas. É dessa forma que surge a variação linguística, um fenômeno natural decorrente de tais necessidades. Não entendeu? Vamos refletir juntos a respeito.

Você já deve ter percebido, em suas interações na sociedade, que, muitas vezes, os indivíduos envolvidos nas situações comunicacionais do cotidiano podem apresentar jeitos diferentes de falar uma mesma língua. Você pode ter notado essas diferenças conversando com pessoas mais velhas, com mais ou menos escolaridade, de profissões variadas etc. Estes modos diferentes de falar dizem muito sobre quem essas pessoas são, de onde elas vêm, o que elas fazem. É isso que chamamos de variação.

Cada pessoa se desenvolve a seu modo, em determinada região, com família de maior ou menor conhecimento acerca da língua. Existe algo errado, por exemplo, em não dominar a norma padrão? Não! Ela é, obviamente, importante, mas não é o que define nossa capacidade de comunicação, interação. Sua ausência não nos impede de expressar o que sentimos, nem de nos posicionarmos diante das situações que enfrentamos no mundo. Dessa forma, se as variações são utilizadas, é necessário reconhecer que elas existem e que, portanto, fazem parte da língua. Por isso, precisamos procurar compreendê-las e aceitá-las a fim de não corrermos o risco de cair na armadilha do preconceito linguístico.

Nós nos adaptamos aos mais variados cenários quando o assunto é a nossa língua. Se estamos com amigos, relaxamos e lançamos mão da informalidade. Se o cenário é uma entrevista de emprego ou mesmo um diálogo com alguém com quem não temos a mínima intimidade, a formalidade se faz necessária. Uma criança não terá o mesmo repertório linguístico de um adulto, assim como um adulto com pouca escolaridade não terá o vocabulário de um professor. Nossa língua, como todas as línguas vivas do mundo, é dinâmica e muda junto conosco, nos acompanha, nos identifica, nos permite atingir nosso objetivo de comunicação de maneira perfeita, seja como for. Quer conhecer os tipos de variação linguística? Você vai compreender que, muito provavelmente, se encaixa em vários deles.

As principais variedades são as regionais, sociais e estilísticas. No primeiro caso, podemos observar uma variação ocorrida de acordo com a região do país onde o falante mora. Vejamos um exemplo: a conhecida mandioca costuma ser chamada, em regiões como Norte e Nordeste, de macaxeira. Em outras regiões, como algumas do Sul (estado de Santa Catarina e parte do Rio Grande do Sul) a chamam de aipim. Viaje para qualquer região do Brasil que não seja a capital do Paraná e peça um cachorro quente com “vina”. A não ser que o vendedor seja curitibano, ele dificilmente compreenderá que você se refere a salsichas.

No segundo caso, o da variedade social, é possível perceber uma variação no nível fonológico e morfossintático. Alguns falantes pronunciarão as palavras de um jeito um pouco diferente do que estamos acostumados a ouvir quando diante da gramática normativa. Vejamos:

Nível fonológico: “brusa” em vez de “blusa”.

Nível morfossintático: “eu vi ela” em vez de “eu a vi”.

No caso da variedade estilística, estamos nos referindo à formalidade, à informalidade, à gírias (pertencente a determinados grupos de jovens, como surfistas, skatistas etc.) e aos jargões (determinados tipos de gírias pertencentes a grupos profissionais, como policiais, advogados etc.).

Vamos, agora, entender em que tipo de variações estes casos se encaixam.

Variações diafásicas: são as variações estabelecidas de acordo com o contexto da comunicação. Tratam da formalidade e da informalidade.

Variações diatópicas: são aquelas estabelecidas pela região onde o falante vive. Lembre-se dos exemplos da mandioca e da salsicha.

Variações diastráticas: dizem respeito às variações determinadas pelo convívio com certos grupos sociais. Lembre-se dos exemplos das gírias e dos jargões.

Compreender a variação nos torna conscientes sobre nossa própria língua e nos faz reconhecer seus aspectos e perceber que podemos usá-la sempre a nosso favor, como modo de satisfazer nossas necessidades e alcançar nossos objetivos comunicativos. Ao contrário do que muitos pensam, é desnecessário usar a gramática normativa o tempo todo. Imagine-se numa conversa com um grupo de amigos: será que o emprego de concordância verbal e nominal em todas as ocasiões de fala vai parecer adequado àqueles com quem você interage? É bom provável que você seja taxado, ainda que injustamente, de arrogante ou algo do tipo.

Apesar da importância da norma culta, é fundamental adaptar o nosso discurso aos variados contextos do dia a dia. É como o nosso guarda-roupa: você não usa jeans em uma festa de casamento e, muito menos, um vestido de gala para ir ao cinema. Com a língua é a mesma coisa! Nossas escolhas variam de acordo com as nossas necessidades.

Agora que você já sabe tudo sobre variação linguística, lembre-se sempre de que linguagem é poder! Use-a a seu favor e aproveite para, mediante sua interação, fazer novos amigos, se dar bem naquela entrevista de emprego ou teste de seleção e conquistar tudo que quiser!


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2 comentários

  1. valeu! é bem questão de formal e coloquial. mas pode ocorrer um condicionamento auto limitante, por exemplo… a pessoa que na falta de um vocabulário suficiente substitui palavras por palavrões com certa frequência.

    1. Olá, Antonio. Na verdade a variação linguística depende de inúmeros fatores, incluindo idade, grau de escolaridade etc. O que é importante é entender que para cada situação podemos utilizar uma variação diferente. Abraços. Valeu.

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