Resumão dos dez assuntos que mais caem no Enem

Resumão dos dez assuntos de Língua Portuguesa que mais caem no Enem

Outro dia postei sobre alguns dos assuntos mais recorrentes nas provas do Enem. Hoje, resolvi fazer um “resumão” sobre cada um deles como forma de te ajudar a se preparar para este dia que está cada vez mais próximo. Vamos direto ao ponto. 

  1. Interpretação de texto

Interpretar é uma forma de reconhecer informações que nem sempre estão claras em um texto. Este assunto engloba análise do discurso, gramática contextualizada e uma série de outros fatores que te ajudam a perceber aquilo que está nas entrelinhas. Quando interpretamos um texto literário, por exemplo, precisamos considerar panorama histórico, biografia do autor, estilo do autor, movimento literário do qual faz parte. Contudo, é o nosso repertório – que só se constrói a partir da leitura – que nos aproxima de uma interpretação adequada. Outro dia, li uma tira interessantíssima em que Tom Jobim e Vinicius de Moraes saudavam um “tal de João”. Enquanto o primeiro afirmava que ele chegara, finalmente, o outro exclamava “Chega de saudade!” Para quem tem repertório, fica claro que o texto fazia referência à morte do cantor João Gilberto, ocorrida neste ano, que eternizou a canção Chega de Saudade, de autoria do próprio Jobim. 

Percebe quanta coisa sabemos quando nossa leitura nos leva além? É isso que o Enem deseja: alunos que apresentem leitura fluente e ótimo repertório. 

 

  1. Linguagem verbal e linguagem não verbal

Para resumir, linguagem verbal diz respeito a todo texto escrito, aquele que pode ser compreendido através das palavras. Enquanto isso, a linguagem não verbal refere-se a imagens, ilustrações, símbolos etc. Existem textos multimodais, aqueles que possuem estas duas linguagens em seu interior. A tira é um texto multimodal, assim como a capa de revista, a charge, o guia de viagem e tantos outros. 

Imagine que você esteja fazendo uma viagem de carro. Certamente, já deve ter visto espalhadas pelos acostamentos das rodovias aquelas placas informativas de trânsito. Muitas delas não possuem texto escrito, é o caso de uma em especial, aquela em que se vê a imagem de um animal (normalmente, um veado) numa posição de movimento. Na mesma hora, você vai, provavelmente, reduzir a velocidade, pois a leitura que faz é a de que, naquela região, existe a possibilidade de que algum animal cruze a pista e provoque um acidente. Isso comprova que a linguagem não verbal também possibilita que a interpretação aconteça.

No Enem, você vai se deparar com vários textos multimodais nos quais imagem e texto escrito vão se unir com a intenção de comunicar algo. 

 

  1. Intertextualidade

Trata-se do diálogo entre textos. Ela pode ocorrer nos mais variados gêneros. Você já viu aquela tira em que a Mônica se olha no espelho e pergunta se há alguém mais bonita que ela? O espelho, obviamente, não a responde e ela sai por aí com a afirmação “Quem cala consente!” Este é um claro exemplo de intertextualidade com um famoso conto de fadas. Outro caso conhecido é a célebre música Monte Castelo, por meio da qual a banda Legião Urbana faz referência a passagens bíblicas presentes em Coríntios (“Ainda que eu falasse a língua dos homens e dos Anjos”), ao Soneto nº 11, do português Camões (“O amor é fogo que arde sem se ver”), e à cidade de Monte Castelo, na Itália, onde brasileiros lutaram durante a Segunda Guerra. Esta foi a forma perfeita de se falar sobre amor e guerra, dois aspectos tão diversos. 

Intertextualidade é isso, um diálogo entre textos que nos ajuda a construir os seus sentidos e nos leva a interpretar, inclusive, o mundo que nos circunda. 

 

  1. Gêneros textuais

Como já mencionei no outro post, os gêneros textuais nascem das nossas necessidades interacionais. Eles possuem características próprias para atender às demandas dos cidadãos e se estruturam a partir de tipos textuais. Vou citar alguns exemplos para facilitar a compreensão. 

A receita culinária possui uma intenção específica, que é instruir o leitor a cozinhar determinados tipos de pratos. Para tanto, usa a tipologia injuntiva, com base em verbos no imperativo, justamente para orientar, passar comandos, levar o leitor a um resultado adequado acerca do que deseja cozinhar.

O romance possui a função principal de entreter, de provocar catarse, de gerar aquele prazer no leitor diante da estética ou da beleza da história em si. Sua tipologia é a narrativa, visto que apresenta um enredo, com personagens, espaço, tempo (cronológico ou psicológico) etc.

O artigo de opinião procura persuadir, convencer, mostrar o ponto de vista de seu autor ou autora sobre determinado assunto. A tipologia é argumentativa, pois há necessidade de se defender a tese colocada. 

Olhando deste modo, parece simples perceber que os gêneros textuais possuem funções determinadas de acordo com as intenções de seus autores, não é mesmo?

 

  1. Variação linguística

A variação linguística traz um panorama geral acerca das mais diversas formas em que nossa língua se apresenta nesta imensidão chamada Brasil. Uma língua pode variar de acordo com diversos fatores, eles podem ter a ver com escolaridade, região onde cada falante vive, grupos sociais aos quais o falante pertence, idade, sexo, dentre tantos outros. É importante salientar que o Enem reconhece e respeita estas “outras formas”, afinal não podemos imaginar que nossa língua se resuma à variedade padrão, não é mesmo? Não usamos (e nunca usaremos) todas as regras o tempo todo. Nem mesmo os professores de língua portuguesa fazem isso para se comunicar. Reconhecemos que a língua é mecanismo vivo, que está em constante transformação, prova disso é o fato de que os falantes de Portugal têm um outro português, com vocabulário diverso, com suas próprias peculiaridades. Nós somos falantes do português brasileiro!

Aqui no blog tem um artigo bem bacana que publiquei sobre os tipos de variação linguística. Ele pode te ajudar a estudar para as provas do Enem. 

 

  1. Análise do discurso 

A análise do discurso considera a presença de ideologias em um texto a partir das estruturas estabelecidas no momento da sua tessitura, o que acaba por mostrar que não existe neutralidade na escrita. Assim, acabamos analisando, também, os sentidos de um texto, a forma como eles podem mudar a depender do contexto e dos interlocutores, a mensagem que se deseja transmitir, dentre outros aspectos importantes. É possível, por exemplo, perceber quando um discurso é racista, homofóbico, machista, de esquerda ou de direita através das escolhas vocabulares por parte do autor, do modo como ele se posiciona, da maneira como estrutura suas afirmações.

 

  1. Literatura

Quando o assunto é literatura no Enem, precisamos considerar as correntes literárias que influenciaram a produção nacional nos últimos anos. Vou deixar uma relação das principais para você refrescar sua memória. Não custa nada lembrar, também, que, em meu canal no youtube, temos videoaulas muito bacanas sobre o assunto. Não perca!

Quinhentismo  (1500) – Carta de Pero Vaz de Caminha; chegada dos portugueses ao Brasil; jesuítas no Brasil.

Barroco – rebuscamento, exagero; poesia de Bento Teixeira, Gregório de Matos (Boca do Inferno).

Arcadismo – bucolismo, simplicidade, natureza; Basílio da Gama (O Uruguai).

Romantismo – emoção, subjetivismo. Gonçalves Dias (1ª Geração); Álvares de Azevedo (2ª Geração); Castro Alves (3ª Geração).

Realismo – Machado de Assis, questões sociais, crítica à burguesia. 

Naturalismo – Aluísio Azevedo (O Mulato), ligado ao Realismo como uma continuidade dele.

Parnasianismo – Olavo Bilac. Arte pela arte, precisão. 

Simbolismo – Cruz e Souza. Sinestesia, musicalidade. 

Pré-Modernismo – Euclides da Cunha. Conservadorismo e liberalismo. 

Modernismo – Semana de Arte Moderna – Oswald de Andrade (1ª Fase); Era Vargas – Graciliano Ramos (2ª Fase); Redemocratização, ditadura militar – João Cabral de Melo Neto (3ª Fase).

 

  1. Domínio da norma culta

Impossível resumir todas as regras gramaticais em um post apenas, mas vou citar aqui as áreas que devem ser estudadas. Meu canal no youtube tem muitas aulas bacanas a respeito!

Fonologia – estuda os fonemas, as representações dos sons. Os fonemas são unidades mínimas de representação. Dentro desta área podemos analisar a pronúncia e suas variações. 

Morfologia – estuda a estrutura das palavras, a maneira como elas flexionam, a que classes pertencem dependendo da função exercida. Um exemplo: as palavras classificadas como substantivos têm a função de nomear seres com existência própria ou não. 

Sintaxe – analisa a função das palavras dentro da oração, além do funcionamento dessas orações, das relações que estabelecem entre si.

 

  1. Coesão e coerência textual

A coesão textual diz respeito à organização das informações no texto. Um dos principais mecanismos de coesão diz respeito a evitar a repetição de palavras, frases etc. Para isso, é importante ter domínio de recursos catafóricos ou anafóricos. As substituições ou elipses ajudam a tornar o texto mais claro. Vejamos um exemplo. Observe a frase a seguir.

João comprou uma bicicleta e João mostrou a bicicleta para a mãe. 

Fica nítido o problema da repetição, não é mesmo? Ele dificulta a leitura. Vamos reescrever o fragmento:

João comprou uma bicicleta e a mostrou para a mãe. 

Perceba que fizemos uma elipse (excluindo a segunda ocorrência do nome João) e usamos um pronome oblíquo (“a”) para fazer referência à bicicleta sem precisar repetir a palavra. 

É disso que se trata coesão textual, uma forma prática de deixar o texto organizado a fim de facilitar a leitura.

A coerência diz respeito ao sentido dos textos. De nada adianta as informações estarem organizadas se não fazem sentido para o leitor. Isso mostra que coesão e coerência devem caminhar juntas. 

Imagine-se diante de uma placa informativa na fachada de um restaurante com a seguinte informação: “Aberto todos os dias, exceto nas segundas-feiras.” Faz sentido para você? Como pode um restaurante abrir todos os dias se não abre durante as segundas-feiras? Com este exemplo, observamos um caso de incoerência, em que as informações não foram exploradas adequadamente. 

 

Muito bem, pessoal, com este “resumão” você pode relembrar algumas informações importantes que, certamente, te ajudarão durante as provas que se aproximam. 

Abraços e bons estudos!

 


Espero que de alguma forma esse conteúdo tenha te ajudado. Mas o que acha de assinar a minha Plataforma de Estudos 2.0 e melhorar ainda mais seus estudos no colégio, no cursinho ou tirar aquela nota máxima no Enem?

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